domingo, 16 de dezembro de 2007

FALA DO HOMEM NASCIDO

Venho da terra assombrada
do ventre da minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguem

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
tenho pressa de viver.
Que a vida é água a correr.

Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder
Minha barca aparelhada
solto o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Nao há ventos que nao prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguem as veceu

Com licença Com licença
Que a barca se faz ao mar
Nao há poder que me vença
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar

Antonio Gedeao

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Pinhal do Douro

(flor de verde pinho)

Aqui, a minha terra, o meu Pinhal
há muito com tiques de francesa
eu sei que a alma é lusa com certeza
e haverá de cumprir seu ideal...

O pólen, deste pinho, é bem? É mal?
Concerto e desconcerto é Natureza,
ao encontro de carácter e nobreza;
cuja esperanca é de verde natural

O ouro vem do rio; e nao da flor!...
(Segredos de alquimia em pano-linho)
Outrora matisada dessa cor

dourada; minha flor de verde pinho.
A caruma é, em suma, muito amor
Meu berço, meu baloiço, meu cantinho



nl

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

paradoxos

Nem sempre se faz justiça
quando se pratica o bem
mas se o caso vem a liça
nunca serve de premissa
desejar mal a ninguem



nl

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

GENTE

Quando a dor do outro, e a aflição,
nos faz embargar a voz
é porque a srª perfeição
já se digna olhar para nós



nl

aleixo

O pão que sobra à riqueza
distribuído com razão
matava a fome à pobreza
e ainda sobrava pão

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O FUTURO

Isto vai, meus amigos, isto vai...
Um passo a trás são semppre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente

isto vai, meus amigos, isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente.

depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

o que é preciso é termos confiança
se fizermos de Maio a nossa lança
isto vai, meus amigos, isto vai


José Carlos Ary dos Santos