domingo, 16 de dezembro de 2007

FALA DO HOMEM NASCIDO

Venho da terra assombrada
do ventre da minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguem

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
tenho pressa de viver.
Que a vida é água a correr.

Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder
Minha barca aparelhada
solto o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Nao há ventos que nao prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguem as veceu

Com licença Com licença
Que a barca se faz ao mar
Nao há poder que me vença
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar

Antonio Gedeao